
O outono aproximava-se e com ele marchava a maior ameaça que Portugal já enfrentara: a Terceira Invasão Francesa, liderada pelo temível Marechal Massena. O objetivo de Napoleão era claro: esmagar as tropas anglo-lusas e tomar Lisboa. Mas no caminho estava a serra do Buçaco e, a seus pés, a pequena localidade de Casal Comba.
Foi em Casal Comba que Arthur Wellesley, o famoso Duque de Wellington e comandante supremo das forças aliadas, decidiu montar o seu quartel-general nos dias tensos que antecederam a batalha. Imagine-se o contraste brutal: uma pacata aldeia agrícola da Bairrada, subitamente invadida por dezenas de milhares de soldados, cavalos, carroças de mantimentos e o ruído ensurdecedor do metal e da pólvora.
A logística era titânica. As ruas encheram-se de fardas vermelhas britânicas e de uniformes azuis portugueses. As casas foram requisitadas para abrigar oficiais, os celeiros transformaram-se em paióis improvisados e os campos circundantes serviram de acampamento para um exército que se preparava para o choque de frente.
Enquanto a aldeia fervilhava em preparativos, Wellington não dormia. À luz de lamparinas, debruçado sobre os mapas da região, o génio militar britânico desenhava uma das táticas de defesa mais brilhantes da história militar. Ele percebeu que as encostas íngremes do Buçaco eram a “muralha natural” perfeita. A partir de Casal Comba, distribuiu ordens, posicionou artilharia e preparou a armadilha que iria dizimar as forças francesas a 27 de setembro de 1810.
O Legado de Casal Comba
Hoje, quem passa por Casal Comba pisa o mesmo solo onde se decidiu o futuro da Europa. Esta noite de vigília e estratégia marcou para sempre a identidade da freguesia, transformando-a num ponto de interesse crucial para o turismo militar e para os apaixonados pela história que percorrem a Rota das Invasões Francesas.
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