
Quem caminha pelas ruas da Figueira da Foz e esbarra com as grades de ferro forjado do Palácio Sotto Maior sente-se imediatamente transportado para os subúrbios aristocráticos de Paris ou para os palácios imperiais de Versalhes. Este monumento, rodeado por um jardim frondoso, é o testemunho vivo de um tempo em que a cidade era o epicentro da riqueza e do bom gosto em Portugal.
A história do palácio confunde-se com a vida do seu criador: Joaquim Sotto Maior. Nascido no norte do país, partiu muito jovem e sem posses para o Brasil, onde o seu faro comercial e determinação o transformaram num dos homens mais ricos do Rio de Janeiro. Ao regressar a Portugal, apaixonado pelo glamour e pelo clima da Figueira da Foz na “Belle Époque”, decidiu erguer uma residência que espelhasse o tamanho do seu sucesso.
Joaquim não olhou a despesas. Contratou o prestigiado arquiteto Gaston Landeck e deu uma ordem simples, mas de uma ambição desmedida: queria o palácio mais belo e sumptuoso do país.
A construção começou no final do século XIX e transformou-se numa autêntica odisseia. O nível de exigência era tão elevado que as obras demoraram cerca de 20 anos a ser concluídas. Sotto Maior mandou vir os melhores materiais de todos os cantos da Europa: os mármores finos de Itália, os bronzes e cristais de França, as madeiras exóticas do Brasil e os azulejos pintados à mão pelos maiores mestres nacionais.
O interior do palácio tornou-se uma autêntica galeria de arte. Os tetos foram forrados com frescos deslumbrantes de António Ramalho, os salões de baile imitavam o estilo Luís XV e Luís XVI, e os espelhos gigantescos importados de Veneza multiplicavam a luz que entrava pelas imensas vidraças.
A ironia trágica da história dita que Joaquim Sotto Maior desfrutou muito pouco da sua obra-prima, tendo falecido poucos anos após a conclusão do palácio. No entanto, o seu monumento à opulência sobreviveu intacto às revoluções e à passagem das décadas.
Hoje, o Palácio Sotto Maior é propriedade do Casino Figueira e continua a ser uma das maiores joias arquitetónicas da região. Aberto ao público para visitas e grandes eventos culturais, o palácio não é apenas uma atração turística de luxo; é o espelho de uma era dourada em que a Figueira da Foz atraía as maiores fortunas do mundo e ousava sonhar em grande à beira do Atlântico.
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