
O mês de junho despede-se a 29 de junho com a celebração do apóstolo pescador. Em Portugal, com a nossa imensa costa atlântica, São Pedro é reverenciado com uma devoção profunda. Ele é o padroeiro dos “lobos do mar”, e a sua festa é o grande momento de comunhão das vilas piscatórias de norte a sul do país.
À semelhança do que acontece com os outros Santos Populares, o São Pedro é a figura central e o feriado municipal de várias localidades, onde a celebração ganha contornos de grande dimensão económica e cultural:
Póvoa de Varzim: É, indiscutivelmente, a “capital” do São Pedro em Portugal. Sendo uma cidade de raízes piscatórias profundas, o feriado de 29 de junho é o auge do ano. Os bairros competem entre si em noitadas épicas, onde se acendem fogueiras, se montam os engalanados “tronos de São Pedro” e milhares de pessoas saem à rua, gerando um retorno brutal para o comércio local.
Sintra: Numa paisagem completamente diferente da costa, a romântica vila de Sintra também tem São Pedro como padroeiro. A célebre Feira de São Pedro de Penaferrim, com origens no século XII, é um dos eventos saloios mais antigos do país, enchendo-se de artesanato, produtos agrícolas e o icónico leitão assado.
Montijo e Seixal: Na margem sul do rio Tejo, a forte ligação histórica à água e às antigas classes de pescadores e fragateiros faz com que o São Pedro seja o grande padroeiro e feriado destas cidades. As procissões fluviais, onde os barcos de pesca desfilam engalanados no rio, são um espetáculo que atrai milhares de visitantes.
Cantanhede: Mais a centro, a forte tradição agrícola e comercial também se rende ao São Pedro, demonstrando que a influência do santo não se limita apenas à beira-mar, sendo a época em que o comércio local mais fatura com os arraiais de verão.
A lenda mais conhecida de São Pedro é a de que Jesus lhe entregou as Chaves do Reino dos Céus. Na cultura popular portuguesa, isto traduziu-se numa crença muito prática: São Pedro é quem manda no tempo. Quando troveja muito, o povo diz que “o São Pedro está a arrastar os móveis”, e é a ele que os pescadores rezam para acalmar as tempestades antes de lançarem os barcos ao mar.
Acreditava-se que benzer as redes no dia de São Pedro garantia faina farta para o resto do ano, uma tradição que ainda hoje leva a que muitas embarcações sejam decoradas e abençoadas em procissões marítimas espetaculares.
Se o Santo António é o pão e o São João é o fogo, o São Pedro é a consagração do mar. Nestes dias, a economia das zonas litorais atinge o seu auge. O peixe fresco e as caldeiradas assumem o protagonismo nas ementas dos restaurantes.
As associações de pescadores promovem leilões e tasquinhas, encerrando o ciclo dos Santos Populares num misto de homenagem ao esforço árduo da faina e de celebração da riqueza gastronómica costeira. É o adeus a junho e a porta de entrada definitiva para os meses grandes e altamente rentáveis do verão.
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