
Sentar na esplanada junto ao Forte de Santa Catarina, a observar a pacífica entrada dos barcos no estuário do Mondego, é um dos maiores prazeres na Figueira da Foz. Contudo, esta fortaleza triangular de pedra quinhentista esconde um passado de pólvora, sangue e glória militar que alterou definitivamente a História de Portugal e da Europa.
Originalmente construído no século XVI para defender a barra do rio dos implacáveis ataques de piratas e corsários (que faziam razias a Buarcos e às salinas), o Forte de Santa Catarina tornou-se, séculos depois, o epicentro da Guerra Peninsular. Em 1808, o país sufocava sob o domínio do exército de Napoleão Bonaparte, comandado pelo temível General Junot.
Foi precisamente ao abrigo das muralhas de Santa Catarina que a maré da guerra virou. No verão de 1808, o futuro Duque de Wellington, Sir Arthur Wellesley, escolheu a Figueira da Foz para uma operação de risco extremo: o desembarque anfíbio de cerca de 9.000 soldados britânicos.
A foz do Mondego tornou-se a primeira grande “cabeça de ponte” das forças aliadas na Península Ibérica. O Forte garantiu a segurança logística das tropas e das armas, permitindo a Wellesley iniciar a marcha triunfal em direção a sul, que culminaria nas vitórias épicas da Roliça e do Vimeiro. Hoje, esta fortificação não é apenas um monumento; é o “Quilómetro Zero” da libertação de Portugal.
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