
Para compreender Montemor-o-Velho, não basta olhar para as muralhas do seu castelo; é preciso ler a própria terra. O nome desta vila milenar não nasceu de uma lenda romântica nem de um rei caprichoso, mas sim da fria e implacável lógica militar dos seus primeiros grandes conquistadores: os Romanos.
Quando as legiões de Roma avançaram pelo território que hoje chamamos de Portugal, a tática exigia o domínio absoluto dos vales e das vias de comunicação. Ao chegarem às imensas planícies alagadiças do Baixo Mondego, depararam-se com uma elevação geológica imponente, um penhasco natural que se erguia soberano e cortava a paisagem, permitindo vigiar o rio e o mar a quilómetros de distância.
Na sua língua franca, o latim, batizaram este cume de “Mons Major” (que se traduz literalmente para Monte Maior). Com o passar dos séculos, a evolução fonética da língua e a pressa da fala popular trataram de aglutinar as palavras. O “Mons Major” transformou-se em “Montis Maior”, evoluindo finalmente para o sonoro “Montemor”.
A grande questão que muitos visitantes levantam é o apelido de “o Velho”. Será que a vila envelheceu mal? Muito pelo contrário.
A designação de “Velho” foi acrescentada muitos séculos mais tarde, não como um sinal de decadência, mas como uma prova de estatuto e antiguidade. Durante o processo da Reconquista e da consolidação do reino de Portugal, foi fundada uma nova povoação fortificada muito mais a sul, no Alentejo, que também adotou o nome de Montemor.
Para evitar confusões administrativas, o rei ordenou a distinção. O Montemor alentejano, por ser mais recente, passou a chamar-se Montemor-o-Novo. E o castelo original do Mondego, o farol militar que já defendia a região desde o tempo dos romanos e dos mouros, exigiu o título de Montemor-o-Velho.
O nome é, assim, o espelho perfeito da sua história. Montemor-o-Velho é, literalmente, “o Monte Maior e mais Antigo”. É a prova viva de que quem domina a geografia, domina a economia e a segurança de toda uma região. O “Mons Major” continua, hoje como há dois mil anos, a ser o vigia inabalável do “Ouro Branco” e das férteis terras do Baixo Mondego.
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