
Costuma dizer-se que, quando a Universidade espirra, a cidade de Coimbra constipa-se. A “Cidade dos Estudantes” é o laboratório perfeito para compreender como uma única instituição consegue moldar por completo a economia de um concelho inteiro. O verdadeiro motor de Coimbra não tem chaminés industriais; veste capa e batina.
Todos os anos, dezenas de milhares de jovens chegam à cidade, criando uma procura habitacional e de consumo brutal. O mercado de arrendamento na Alta e na Baixa é uma indústria altamente rentável, mas é nas míticas Repúblicas de Estudantes que reside o verdadeiro fenómeno social. Estas casas comunitárias e autogestionadas (muitas com séculos de história, como a Real República do Baco ou a República dos Kágados) funcionam como micro-sociedades. Com orçamentos próprios, regras democráticas apertadas e uma irreverência anárquica, as Repúblicas são a última trincheira da verdadeira boémia coimbrã e espaços que ajudaram a moldar políticos, escritores e pensadores nacionais.
A economia paralela da academia atinge o seu expoente máximo em maio, durante a Queima das Fitas. O que nasceu como uma simples queima de fitas de fim de curso evoluiu para o maior evento estudantil da Europa. Numa questão de dias, a festa movimenta dezenas de milhões de euros na cidade. Desde a venda de cerveja no “Queimódromo” ao esgotar dos hotéis, restaurantes, comércio de tecidos (para as capas) e alfaiates locais, a Queima das Fitas é a injeção anual de capital que sustenta centenas de negócios e prova que a folia académica é um império financeiro incrivelmente oleado.
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