
A Universidade pode dominar a colina, mas as verdadeiras raízes de Portugal estão enterradas na parte baixa da cidade. Muito antes da fundação de Lisboa como capital, Coimbra era a base de operações militares e políticas da nação. E o centro nevrálgico desse poder incipiente era o Mosteiro de Santa Cruz.
Fundado em 1131, nos alvores da nacionalidade, o mosteiro foi entregue aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Mas esta não era uma instituição religiosa comum. Santa Cruz era a “casa-mãe” da elite intelectual do reino e contava com a proteção e o financiamento direto do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Foi aqui que se reuniu o conhecimento, a diplomacia e a fé que serviram de suporte à violenta e implacável expansão das fronteiras portuguesas para sul, durante a Reconquista Cristã.
O peso histórico de Santa Cruz é de tal ordem que foi o local escolhido por D. Afonso Henriques e pelo seu filho, D. Sancho I, para o seu descanso eterno. Quem entra na belíssima igreja do mosteiro, cujas abóbadas manuelinas impressionam qualquer visitante, depara-se na capela-mor com os imponentes túmulos destes dois monarcas fundadores.
Estar na presença destes túmulos é estar frente a frente com os homens que, a ferro e fogo, forjaram a identidade do nosso país. A energia do local é palpável e transborda para a praça exterior (a atual Praça 8 de Maio), onde hoje o icónico Café Santa Cruz (instalado numa antiga capela do mosteiro) serve de sala de visitas à cidade. O Mosteiro de Santa Cruz não é apenas um monumento de Coimbra; é a “certidão de nascimento” de Portugal lavrada em pedra.
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